Lei n.º 37/2010, de 2 de Setembro, Derrogação do sigilo bancário (21.ª alteração à Lei Geral Tributária, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 398/98, de 17 de Dezembro, e 2.ª alteração ao Decreto-Lei n.º 62/2005, de 11 de Março) (JusNet 1722/2010)
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(DR N.º 171, Série I, 2 Setembro 2010; Data de Disponibilização 2 Setembro 2010)

Emissor: Assembleia da República

Entrada em vigor: 3 Setembro 2010

Versão original


A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição (JusNet 7/1976), o seguinte:
Artigo 1. Alteração à Lei Geral Tributária. 
Os artigos 63.º, 63.º-B e 63.º-C da Lei Geral Tributária, abreviadamente designada de LGT, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 398/98, de 17 de Dezembro (JusNet 157/1998), alterada pelas Leis n.os100/99, 26 de Julho (JusNet 144/1999), 3-B/2000, de 4 de Abril (JusNet 25/2000), 30-G/2000, de 29 de Dezembro (JusNet 154/2000), 15/2001, de 5 de Junho (JusNet 66/2001), e 16-A/2002, de 5 de Maio (JusNet 47/2002), pelos Decretos-Leis n.os229/2002, de 31 de Outubro (JusNet 75/2002), e 320-A/2002, de 30 de Dezembro (JusNet 91/2002), pela Lei n.º 32-B/2002, de 30 de Dezembro (JusNet 89/2002), pelo Decreto-Lei n.º 160/2003, de 19 de Julho (JusNet 56/2003), pela Lei n.º 107-B/2003, de 31 de Dezembro (JusNet 127/2003), pelas Leis n.os55-B/2004, de 30 de Dezembro (JusNet 155/2004), 50/2005, de 30 de Agosto (JusNet 1959/2005) (JusNet 1302/2005), e 60-A/2005, de 30 de Dezembro, pelo Decreto-Lei n.º 238/2006, de 20 de Dezembro (JusNet 2249/2006), pelas Leis n.os53-A/2006, de 29 de Dezembro (JusNet 2293/2006), 67-A/2007, de 31 de Dezembro (JusNet 2612/2007), 19/2008, de 21 de Abril (JusNet 733/2008), 64-A/2008, de 31 de Dezembro (JusNet 2571/2008), 94/2009, de 1 de Setembro (JusNet 1924/2009), e 3-B/2010, de 28 de Abril (JusNet 666/2010), passam a ter a seguinte redacção:
«Artigo 63. [...]. 
1 - ...
2 - O acesso à informação protegida pelo segredo profissional ou qualquer outro dever de sigilo legalmente regulado depende de autorização judicial, nos termos da legislação aplicável.
3 - Sem prejuízo do número anterior, o acesso à informação protegida pelo sigilo bancário faz-se nos termos previstos nos artigos 63.º-A, 63.º-B e 63.º-C.
4 - (Anterior n.º 3.)
5 - A falta de cooperação na realização das diligências previstas no n.º 1 só será legítima quando as mesmas impliquem:
  • a) O acesso à habitação do contribuinte;
  • b) A consulta de elementos abrangidos pelo segredo profissional ou outro dever de sigilo legalmente regulado, à excepção do segredo bancário, realizada nos termos do n.º 3;
  • c) O acesso a factos da vida íntima dos cidadãos;
  • d) A violação dos direitos de personalidade e outros direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, nos termos e limites previstos na Constituição e na lei.
6 - (Anterior n.º 5.)
7 - A notificação das instituições de crédito, sociedades financeiras e demais entidades, para efeitos de permitirem o acesso a elementos cobertos pelo sigilo a que estejam vinculados quando a administração tributária exija fundamentadamente a sua derrogação, deve ser instruída com os seguintes elementos:
  • a) Nos casos de acesso directo, cópia da decisão fundamentada proferida pelo director-geral dos Impostos ou pelo director-geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, nos termos do n.º 4 do artigo 63.º-B;
  • b) Nos casos de acesso directo com audição prévia obrigatória do sujeito passivo ou de familiares ou terceiros que se encontrem numa relação especial com o contribuinte, prevista no n.º 5 do artigo 63.º-B, cópia da decisão fundamentada proferida pelo director-geral dos Impostos ou pelo director-geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo e cópia da notificação dirigida para o efeito de assegurar a referida audição prévia.
8 - (Anterior n.º 7.)
Artigo 63.º-B. [...]. 
1 - ...
  • a) ...
  • b) ...
  • c) ...
  • d) ...
  • e) ...
  • f) ...
  • g) Quando se verifique a existência comprovada de dívidas à segurança social.
2 - ...
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - ...
7 - ...
8 - ...
9 - ...
10 - ...
11 - A administração tributária presta ao ministério da tutela informação anual de carácter estatístico sobre os processos em que ocorreu o levantamento do sigilo bancário, a qual é remetida à Assembleia da República com a apresentação da proposta de lei do Orçamento do Estado.
Artigo 63.º-C. [...]. 
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - A administração tributária pode aceder a todas as informações ou documentos bancários relativos à conta ou contas referidas no n.º 1 sem dependência do consentimento dos respectivos titulares.
5 - A possibilidade prevista no número anterior é estabelecida nos mesmos termos e circunstâncias do artigo 63.º-B.»
Artigo 2. Alteração ao Decreto-Lei n.º 62/2005, de 11 de Março. 
O artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 62/2005, de 11 de Março (JusNet 474/2005), que transpõe para ordem jurídica interna a Directiva n.º 2003/48/CE, do Conselho, de 3 de Junho (JusNet 300/2003), relativa à tributação dos rendimentos da poupança sob a forma de juros, alterado pela Lei n.º 39-A/2005, de 29 de Julho (JusNet 1191/2005), passa a ter a seguinte redacção:
«Artigo 1. [...]. 
O presente diploma transpõe para a ordem jurídica nacional a Directiva n.º 2003/48/CE, de 3 de Junho, relativa à tributação dos rendimentos da poupança sob a forma de juros, estabelecendo o regime de obtenção e prestação de informações pelos agentes pagadores relativamente aos rendimentos da poupança sob a forma de juros de que sejam beneficiários efectivos pessoas singulares residentes em território nacional ou noutro Estado membro da União Europeia.»
Artigo 3. Norma transitória. 
O Governo procede à adaptação das normas necessárias do Decreto-Lei n.º 62/2005, de 11 de Março, na redacção que lhe é conferida pela presente lei nos 60 dias seguintes à sua publicação, com vista à sua aplicação aos residentes em território nacional.
Artigo 4. Entrada em vigor. 
A presente lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Aprovada em 22 de Julho de 2010. O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Promulgada em 21 de Agosto de 2010. Publique-se. O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Referendada em 24 de Agosto de 2010. O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.